La Chronique d'Helena
Sucesso de público e de talentos!
A expectativa para este segundo Festival da Canção Francesa era grande. Depois da qualidade dos candidatos do ano passado e do interesse do público só podia se esperar que este ano fosse ainda melhor. Bem, primeiro surgiu a agitação em torno dos ingressos. Apesar de a atividade ser gratuita e, talvez, por isso mesmo, o movimento para botar a mão nas entradas era grande. Parecia difícil imaginar que o Salão da Reitoria da UFRGS fosse ficar lotado, mas, não é que ficou? Não sei se teve gente que não entrou, mas, que a fila dos “sem ingressos” estava grande, isso estava. Mas, eventos bem sucedidos são assim. Ano que vem vai acabar tendo cambistas! Quando cheguei já tinha até gente sentada no meu lugar! E chegaram a sugerir que EU fosse procurar outro. Tem cada uma...
Não demorou quase nada para começar. Christophe Benest, cada vez mais adaptado, já está fazendo piadinhas em português, mostrando o seu senso de humor. Qualquer dia, vou pedir o passaporte dele para ver se ele é mesmo francês. Acredito até que os pequenos deslizes na língua portuguesa como “às vezes pode atrapalhar sua vista” podem ser propositais.
Bom, mas, ainda acho que a primeira cantora foi prejudicada pelo som. Sabem aqueles ruídos absurdos que machucam os ouvidos da gente? Pois, é? Aconteceu isso. A moça seguiu cantando, fazendo de conta que nada estava acontecendo, mas, acredito que isso a perturbou. De qualquer forma, não chegou a causar um julgamento injusto, felizmente. Tinha gente muito boa com a ousadia de cantar música própria e, diga-se de passagem, muito bem. Paul Ricka não levou o prêmio, mas, ainda estou com parte da música Madeleine na cabeça: “La verité c’est que je n’imagine pas ce que sera une vie sans toi” (a verdade é que eu não imagino o que será uma vida sem ti). Aliás, é preciso ressaltar que, praticamente, todas as músicas falavam de amor. Por isso, os franceses têm esta fama de serem tão entendidos no assunto.
Enquanto esperávamos o resultado, a cantora Dzia, vencedora do Concurso Nacional da canção em Camarões em 2002 fez uma apresentação cujo ponto alto acabou sendo ela cantando Flor de Liz de Djavan. É... também gostamos das nossas músicas. Por falar nisso, preciso destacar a presença de Dudu Sperb, o apresentador carismático da noite que deixa a sua posição de cantor para prestigiar os concorrentes, mas, que mostrou sua competência em um dueto com Dzia.
Tassia Minuzzo, 24 anos, foi a grande vencedora. Vai para Paris! Sete dias, ida e volta com hotel pago. Chorou ao saber do resultado. Gaguejou, mal conseguia falar. Voz meiga, aparentemente, tímida. Mas, não demorou muito para se recompor, pegar o microfone e cantar de novo a música Rien de rien que lhe deu o prêmio, dando uma emocionante demonstração da diferença entre alguém que canta bem e uma artista com “a” maiúsculo. Tassia apresentou as características da segunda. Verificando as informações sobre ela descobri que ela é das minhas. Desde os 10 anos ouvia Edith Piaf com a mãe. O segundo lugar foi para Angela Jobim e o terceiro para Gerson Oliveira.
Sempre me sinto também vencedora nos eventos que valorizam a língua e a cultura francesa. Afinal, talvez, fazendo pequenos erros como Christophe quando fala português, foi o francês a língua que escolhi para aprender, não é mesmo?
PS: Na chegada, esbarrei no Philippe Remondeau, dono do Chez Philippe que ofereceu um jantar ao terceiro lugar. Será um sinal de que vou jantar lá qualquer dia desses? Ah, e quem quiser confirmar o que eu disse pode assistir ao Festival no dia 5 de julho na TVE, às 20h.
23/06/2009




