La Chronique d'Helena

Um “bocadito”* da França no Uruguai

Já estava com metade do texto pronto, falando sobre a palestra de Voltaire Schilling na Aliança Francesa sobre Villegagnon ao Cinema novo. Não tinha a menor idéia de quem era este senhor, mas confesso que quando se trata deste historiador não dou muita importância ao tema. Seja o que for sempre sei que vai ser interessante. Nunca me decepciono e, desta vez, não foi diferente. Cheguei à sala já estava cheia. Felizmente (desculpe Monsieur Christophe), só perdi a fala do diretor apresentando a atividade. Afinal, perder cinco minutos do Voltaire falando é, muitas vezes, não ouvir falar de alguns séculos. Só que desta vez, não vou registrar todo o conteúdo que foi, sem dúvida, o que a minha mãe chama de um “banho de cultura”, pois quero falar de outro tema. Antes, porém, não posso deixar de registrar que foi só agora que fiquei sabendo que a origem das escolas de samba também é francesa, pois foi a partir dos desfiles da corte na cidade do Rio de Janeiro que surgiu esta tradição de desfile.

Bem, mas o assunto é, na verdade, minha ida a Montevideo, comentando ainda a influência francesa, não só na cidade, mas na cabeça da minha família. Fomos ao Uruguai para comemorar o aniversário da minha mãe. Teríamos ido a Paris se as passagens também estivessem em promoção ou tivéssemos mais recursos, mas sabíamos que íamos encontrar um pouco da França naquela capital e, mais uma vez, não nos decepcionamos. Não é somente a arquitetura de casas antigas e preservadas em tons de cinza que lembra o país europeu. É também a valorização da cultura, aparente na quantidade de livrarias, monumentos e registros históricos.

Interessante, porém, é a maneira como a minha família lida com uma língua estrangeira. Desde a outra vez em que estivemos por lá, eu já queria falar francês nas ruas ao invés de espanhol. Entendia tudo. A língua é, sem dúvida, mais parecida, mas desanimava até para pedir um copo d´água. Todas as frases que me vinham à cabeça eram em francês. Com minha mãe, obviamente, não é diferente. Muitas vezes, ela nem se dá conta. O mais engraçado foi ver a minha cunhada que está tendo aulas de francês com a minha irmã, não há muito tempo, respondendo: “oui”, aos uruguaios. Justo ela que diz que ainda não sabe falar. Foi assim todo o tempo. Mesmo quando eu já estava “hablando” alguma coisa e me divertindo com o jeito que eles ampliam a vogal dizendo “es muy amaaaaable, muy liiiinda, muy hermoooosa” (os exemplos são apenas demonstrativos. Não recebi tantos elogios assim) ainda acabava dizendo alguma coisa em francês.

Ou seja, independente da nossa proximidade lingüística com o espanhol, é o francês que faz mais sentido para mim (e pelo jeito para os meus familiares também) e isso é graças aos anos de estudos (ou seria mais apropriado dizer aulas?). Pena que o Francês não é a língua estrangeira dominante, ao invés do inglês, mas já foi um dia, então, quem sabe... Eu, se fosse você, ia se preparando.

* Bocadito: mordida, pedaço em espanhol. É também um doce de bolachas com doce de leite e cobertas por chocolate.

02/12/2009